O filme retrata o ocorrido na Polônia na década de 30. Dr. Korczak dirigia um orfanato de crianças judias. Médico e educador realizava um trabalho exímio na área educacional.
Já naquele tempo, ele ministrava uma educação muito afrente de seu tempo, já pensava em técnicas que pensamos em utilizar, realizava trabalhos com crianças participando de jornal, rádio, incitando a educação de maneira fácil e prazerosa.
Era uma pessoa ligada extremamente aos meios educacionais. Mostrava-se decepcionado ao ver seu programa educacional sendo paralisado por entraves políticos.
Fica registrada a decepção daqueles que, saindo do orfanato, acreditavam nas idéias do socialismo, evidenciando a desigualdade social e a repressão aos movimentos estudantis.
A discriminação contra os judeus é algo que transpassa em raras indagações, através das conversas que realizava com adolescentes no orfanato.
Durante a II grande Guerra com a invasão da Polônia pelos alemães, todos são obrigados a viver nos lugares denominados guetos, no qual o nível de vida era miserável, estando sob a constante mira dos rifles alemães.
Nos guetos, os judeus eram alvos de discriminação e violência, sendo covardemente mortos.
Pelas crianças, Dr. Korczak foi humilhado, espancado e preso; mesmo assim, seus ideais continuavam em riste, seu amor pelas crianças inabalado e cada vez mais fortificado.
A tarja era o meio que os alemães encontravam para diferenciar os poloneses e judeus dos alemães, incitando a inferioridade daquelas pessoas. Inferioridade que está na cabeça dos tiranos.
Dr. Korczak sempre se colocou no papel de pai. Protegia e era amado pelas crianças. A preocupação com o futuro das crianças era uma constante em seu pensamento, onde seus atos traduziam sua preocupação, superando, até mesmo, o saber de seu próprio futuro.
A escassez de alimento era tanta, que a vontade por comida se refletia nos sonhos dele, traduzidos em seus comentários com os amigos.
A sinfonia mais comum durante os dias e as noites era os barulhos de tiros soando a todo instante, ao interromper o percurso de vidas inocentes por motivos banais.
Com o coração grandioso por amar crianças, Dr. Korczak, sempre teve um propósito educacional. No momento da guerra, se transpunha em defensor, havendo sempre lugar a toda criança, sem distinção alguma.
Através dos ensinamentos, mesmo durante a guerra, procurava passar senso de justiça, realizando uma tribuna para discutir problemas e falhas daquele grupo, que democraticamente eram solucionados. Desta maneira educava as crianças dentro do senso democrático e cívico, para formar cidadãos mais conscientes de seus problemas e como resolver problemas em sociedade.
Um de seus maiores sonhos, após a guerra, era dirigir um orfanato de crianças alemãs, o que transpunha seu senso humanista, não tendo discriminação alguma, até mesmo para com os filhos daqueles que os julgavam porcos.
Se indignava ao presenciar crianças mortas no gueto pelos alemães, por doenças, frio, fome, parecendo uma fábrica de cadáveres, implorando a amigos que mantinham contato com alemães, uma morte digna. Dr. Korczak, através de seus atos mostrava que seu coração sangrava ao presenciar o sofrimento daqueles que ele tanto amava.
As crianças conviviam com a morte de seus parentes queridos, trazendo a fúria e a desesperança ao Dr. Korckzak, que além de médico e educador, era conselheiro e amigo das crianças as quais lhe confiavam seus segredos e afiliações, tornando-se um ponto de equilíbrio e desabafo. Jamais deixou de atender a suplica de uma criança, sabendo entender sua linguagem.
Através do teatro, podem treinar a consciência para suportar as pressões da guerra e a realidade que se faz presente. Dr. Korczak utilizava a educação para preparação da criança como meio de enfrentar a vida a partir de sua realidade.
O sacrifício pelas crianças consome sua vida, mas a força do seu amor lhe dá ânimo para continuar sua paternidade e missão que ele impôs a si próprio por amor ao que faz.
Dr. Korczak tornou-se parte da vida de cada uma daquelas crianças, posso dizer, unindo-se a um só corpo e espírito, seu amor pelo que fazia foi algo tão grandioso que superou todos os seus sentimentos pessoais, mesmo no momento em que poderia e teve oportunidade em se libertar do gueto, não o fez, preferindo até mesmo na morte se fazer presente para não deixar desamparadas aquelas crianças e seu ideal de educação.
Dr. Korczak e suas 200 crianças foram executadas em 1942 na câmara de gás no campo de concentração de Treblinka.
Conclusão:
Dr. Korczak, médico e educador, pode mostrar seu empenho pelos ideais que acreditava, muito além de educador, tornou-se pai daqueles que, de maneira covarde, tornaram-se órfãos.
Nos ensina que não devemos nos abater por obstáculos que possam interpor em nosso caminho. Se acreditarmos no que fazemos, devemos persistir e lutar até o fim.
Mesmo nas condições mais inferiores da vida, nos mostra que a educação é o meio de conscientização para o crescimento do indivíduo para enfrentar os problemas que a vida nos impõe, tornando-nos cidadãos preparados para enfrentar os problemas da vida.
"Dr. Korczak se resume em doação e amor".
Evaldo de Albuquerque Lima